Histórico
Em 1809, D. Diogo
de Souza, primeiro capitão-mor da capitania do RS, mandou reforçar a guarnição de
Torres e autorizou a construção do Forte de São Domingos das Torres, além de um
presídio militar.
O município de Torres,
anteriormente denominava-se "São Domingos das Torres", nome esse, ligado
ao Padroeiro do lugar "São Domingos"."Torres" é devido a existência
de três grandes rochedos que se estendem a beira mar: torre do norte
(morro do Farol); torre do centro (morro das Furnas) e torre do sul (praia da Guarita).
Foi alterado devido a lei que determinava que as cidades não podiam ter mais que três
nomes próprios. Torres é um dos núcleos mais antigos do Estado do Rio Grande do Sul.
Era utilizado pelos índios Carijós, de Santa
Catarina, e Arachans do Rio Grande do Sul, que em seu comércio de trocas usavam uma
picada, costeando os banhados dos sopés internos, começando na praia grande e indo até
a Itapeva. Estas trilhas também eram usadas por paulistas, compradores de índios, que os
levavam a São Paulo como escravos. A matriz de São Domingos foi a capela e igreja mais
antiga do litoral nordeste do Estado, a primeira a ser erguida (1824), em toda distância
que medeia entre a Laguna e Osório. A função pública da igreja São Domingos ficou
mais nítida depois de ser promovida a capela curada (1826) e freguesia (1837). Em 1826,
D. Pedro I passou pelo povoado de Torres/RS. No dia 05 dezembro, a caminho do Sul do País
por motivo da guerra da Cisplatina. No dia 25 do mesmo mês e ano, ele retornou
pernoitando novamente no complexo administrativo-militar da época, situado entre a igreja
e o baluarte.
A constituição étnica de Torres, além
dos índios e açorianos, é composta por imigrantes alemães e italianos, com
predominância de habitantes de origem lusa. Os alemães chegaram em 1826 e foram
separados, pelo comandante da fortaleza, conforme a religião que professavam: Os
protestantes formaram a colônia de Três Forquilhas, com seu médico e pastor, a
oito léguas do povoado. Os católicos, por sua vez, foram inicialmente para a
estrada de Mampituba, depois junto ao Rio Verde e, finalmente, entre as lagoas do Forno e
Jacaré, construindo a colônia de São Pedro de Alcântara. Por volta de 1830, famílias
de origem italiana, vindas de Caxias do Sul, fixaram moradia no distrito de Morro
Azul.
Em 1836, devido a Revolução Farroupilha,
iniciada em 1835, Torres/RS sentiu as dificuldades da guerra civil, que a deixou no mais
completo abandono, prejudicando e recuando o desenvolvimento. No ano seguinte, através da
Lei de 20 de dezembro de 1837, seria criada a Freguesia de São Domingos das Torres, 28ª
da Província . O desenvolvimento da Freguesia deu-lhe o privilégio de ser também
elevada a categoria de Vila e Município, o que ocorreu em 21 de maio de 1878 pela Lei
Provincial n.º 1152, dando-se a sua instalação a 22 de fevereiro de 1879.
A cidade de Torres surgiu pela
necessidade de controlar esta estratégica passagem, na qual foi instalado um posto
fiscal, que logo se transformou em Guarita Militar da Itapeva e Torres (entre 1774 e
1776). Colonos açorianos, vindos do Desterro (atual Florianópolis) e de Laguna
(SC), começaram a instalar-se na região.
Dentre as personalidades que
deram forte impulso ao desenvolvimento de Torres, destaca-se quem lançou a
"indústria turística", que dominou o cenário econômico local, da primeira
até a segunda grande guerra: José Antônio Picoral. Filho da colônia São Pedro de
Alcântara, tornou-se próspero comerciante em Porto Alegre/RS, mantendo porém, vínculo
com a terra de origem. Depois de um frustrante veraneio em Tramandaí, Picoral decidiu
transformar Torres, em uma moderna Estação Balnearia e em 1915, após entendimentos com
João Pacheco de Freitas, Luiz André Maggi, Carlos Voges e outros Torrenses, instalou seu
Balneário Picoral, marco histórico da introdução do turismo em Torres/RS. Na data de
31 de março de 1938, pelo Decreto nº 7199 conseguiu desmembrar-se do município de
Conceição do Arroio (hoje Osório) passando a figurar como novo município.
A cidade de Torres tem ainda um pouco de
história viva: as casas antigas da rua Júlio de Castilhos formam um conjunto
arquitetônico dos mais típicos em estilo colonial. Foram todas construídas no século
passado de pedras extraídas do morro do Farol, rejuntadas com barro e cal de sambaquis e
madeiramento de lei, extraído das matas que então existiam na praia da Cal e ao redor da
Lagoa do Violão.